sábado, 28 de junho de 2008

Entrada na Cidade de Angra do Heroísmo!

O percurso de chegada à cidade de Angra do Heroísmo através da via rápida está cada vez mais "interessante"! Para além da gincana, de forma atenta, que temos de efectuar para chegar à cidade Património Mundial, agora, onde o visitante que desconhece a ilha pode vislumbrar pela primeira vez o Monte Brasil, pode também observar a volumetria de um armazém em construção com uma escala considerável...
Lamento imenso que isto tenha acontecido... ainda mais tendo em conta que poderia ter sido implantado na zona industrial mais adiante onde se localizam já algumas empresas.
Tenho conhecimento que esta zona no PDM- Plano Director Municipal está definida como Reserva Agrícola Regional. Segundo o Artigo 29 do referido plano podemos ler:

1. A construção e a utilização do solo nos espaços agrícolas integrados na Reserva Agrícola Regional (RAR) quando admissível, nos termos da legislação especialmente aplicável, encontra-se condicionada ao cumprimento dos seguintes parâmetros e condições:

a) Em parcelas com área superior a 5.000m2, para habitação;
b) N.º máximo de pisos – 2 pisos
c) Cércea máxima - 7 m;
d) Área máxima de construção – 300 m2;
e) Afastamentos mínimos da construção ao limite do lote:
- frente – 5 m
- lateral – 3 m
- tardoz– 4 m
f) Sem prejuízo do disposto nas alíneas anteriores, poderá em qualquer caso, ser autorizado a construção de instalações de apoio à agricultura;
g) As reconstruções e ampliações podem ser efectuadas desde que autorizadas pelo organismo que tutela estes espaços, e não violem as alíneas b), c) e d).
Bem, de uma habitação não se trata certamente, então resta-nos as instalações de apoio à agricultura... mas que "instalações"... e não terão mais de 300m2 de área de construção, e a cércea mais de 7m?!
Talvez me esteja a escapar algo na legislação, quem quiser que me elucide, agradeço.
Não basta proteger e regular com cuidado a Zona Classificada de Angra do Heroísmo e a sua zona de protecção, também há que ter cuidado na periferia, nas zonas de aproximação à cidade, pensar no Todo, no geral. Será este o "desenvolvimento" que queremos para a ilha?


18 comentários:

Anónimo disse...

Realmente não cai nada bem. Para não falar do locais e sim dos turistas que nos visitam, antes de vislumbrarem pela primeira vez a cidade de Angra, vão ter de dar de caras com aquele 'mamarracho'. Creio que quem autorizou aquele projecto não tem sensibilidade nem amor à sua terra.

Anónimo disse...

infelizmente acontece, aprova-se tudo e mais alguma coisa quando se quer, eu acho que isto é por em causa a legislação, de quem é a obra? qual a influência da pessoa?
passa fora.

Anónimo disse...

Pois é... pelos vistos a lavoura ainda manda muita jarda. mas não é só nessas zonas... nos próprios parques industriais, que possuem um Regulamento é a palhaçada total no que tocda a implantações e respeito pelos limites das distãncias aos vizinhos. Neste projecto em particular é muito grave porque o Sr. Arquitecto que o produziu é bem conhecido da Vossa praça e não perde oportunidade para botar palavra a falar de atropelos deste ou daquele. O que terá a dizer agora o douto Arquitecto? Estão a ficar como os Engenheiros, é pena!

Anónimo disse...

... mais um prego no "caixão". É inconcebivel que numa cidade como Angra este tipo de atropelo seja tão comum. Alcatrão e penas, já!

Anónimo disse...

Mas que bonito....

E não há ninguém com responsabilidades que tome uma decisão? Quem aprovou?

É mais um exemplo de Portugal no "seu melhor"....

maurocristovam disse...

Já dizia o meu Professor Dr. Manuel Teixeira. É muito facil apercebermo-nos quando estamos em território Portugues. PDM QUE???

Anónimo disse...

Completamente de acordo.
Duvido até que seja alguma estrutura para a agricultura...
De qualquer maneira, quem aprovou? Incompetência ou "LUVAS". Mais uma aberração, mais um atropelo, mais uma ilegalidade, mais uma impunidade...e tudo continua bem!!!

Anónimo disse...

Juliana

antes de mais queria dar-te os parabéns por esta iniciativa.É uma optima maneira de falar de arquitectura, principalmente da "nossa" realidade.
quanto ao dito "mamarracho" penso que são as novas instalações do matadouro de angra...uma vergonha...

raquel

Anónimo disse...

não é o novo matadouro de Angra... é um investimento privado do grupo Barcelos. Como o conseguiram não sei porque se foi licenciado recentemente aqui há gato e dos gordos!

Elsa disse...

o edificio ou edificios além de desvirtuarem totalmente o enquadramento visual naquela zona-belo postal da cidade!!-somam ao belo trabalho realizado na via rápida, larga auto-estrada, a arrasar toda a vegetação lateral, com o impacto de várias passagens aéreas, rotundas e outros mimos do betão, a tornar também um magnífico ex-libris esta paisagem de espaço todo aberto, em alcatrão. bela entrada na Terceira! a bem do "progresso",da "economia" e da "inovação" na pecuária de grande dimensão na ilha....

Juliana Couto disse...

Quero esclarecer que, de acordo com informações fornecidas pelo Grupo Barcelos, a legalidade da construção referida no texto anterior deste blogue, não poderá ser colocada em causa, pois aquando do licenciamento da obra o PDM- Plano Director Municipal ainda não tinha entrado em vigor.

Anónimo disse...

Muito me admirei de este assunto ter sido abordado por uma arquitecta. É que desde que desambarcaram os paraquedistas Fernandes e sua prole que temos visto os maoires atentados à nossa paisagem! É caixotes por tudo quanto é sítio! o último bem junto a um vetusto exemplar da nossa arquitectura ali na Silveira.

Anónimo disse...

inicitivas privadas...como conseguem?vale a pena responder?mesmo sem PDM o bom senso existe, porém no campo económico apenas muito esporádicamente...

Anónimo disse...

É realmente um grande mamarracho. Penso não ser preciso nenhum PDM ou Arquitecto para ver o quão horroroso é aquele armazém. Só mesmo um bruta montes sem sensibilidade nenhuma é que constroi tamanha aberração num lugar tão bonito como aquele. Se repararmos, todas as entradas de Angra estão a ficar horríveis.Há legislação que permite a não aprovação de projectos devido ao seu mau enquadramento paisagístico. Que eu saiba, só houve, até hoje, um autarca que o fez no caso de uma edificação no Continente. Por aqui, tudo é permitido.
Eu ainda pergunto mais, se aquilo é um armazém para venda de produtos agrícolas, qual a necessiddae de ser tão alto? É realmente muito triste ver estragarem locais nobres desta ilha.

Anónimo disse...

Falam falam... Falam falam!
Mas não os vejo a fazer nada!

|Bota essa auto-bomba a trabalhar senão esse betão seca|

Anónimo disse...

Estou fora da ilha Terceira há mais de 7 anos e as notícias que chegam, como esta, são desoladoras. Admiro-me como é permitido uma construção completamente desenquadrada como esta?! Em qualquer lugar constrói-se como se quer e se pretende, sem cuidados paisagísticos nenhuns! É triste.
Abraço

Anónimo disse...

Quando vejo coisas destas, fico triste ao ponto de me apetecer formar uma "Al-Qaeda" e rebentar com isso. Acho que seria pagar-lhes na mesma moeda... "Atentado se faz, com atentado se paga"! Apesar de me estar a formar em engenheiria civil, na minha opinião, quanto menos betão melhor. A obra da via rápida... uma maravilha... Já agora façam umas pontes a unir o grupo central, pela lógica das ideias de quem faz e aprova estes projectos, acho que já faz falta e justifica os custos... Tenho pena, porque parece que por mais que nos indignemos contra tais actos, eles continuam a surgir por todos os lados, e a única sensação que tenho é a de impotência. Espero um dia poder participar mais activamente contra estas coisas, e não apenas escrever.

SM

Anónimo disse...

Quando vejo coisas destas, fico triste ao ponto de me apetecer formar uma "Al-Qaeda" e rebentar com isso. Acho que seria pagar-lhes na mesma moeda... "Atentado se faz, com atentado se paga"! Apesar de me estar a formar em engenheiria civil, na minha opinião, quanto menos betão melhor. A obra da via rápida... uma maravilha... Já agora façam umas pontes a unir o grupo central, pela lógica das ideias de quem faz e aprova estes projectos, acho que já faz falta e justifica os custos... Tenho pena, porque parece que por mais que nos indignemos contra tais actos, eles continuam a surgir por todos os lados, e a única sensação que tenho é a de impotência. Espero um dia poder participar mais activamente contra estas coisas, e não apenas escrever.

SM