domingo, 12 de outubro de 2008

Arquitecturas | literatura

"(...)E todos lembraram a pequena casa dos pais de Milu, com sua portinha de postigo, suas três janelas de tamanho desigual, mal vestida de barro e pintado com a cal que a chuva fazia cair. Tinha cozinha, meio da casa e um quartinho de cama (o dos pais), enquanto ela e a irmã dormiam sobre o estrado do meio da casa e os irmãos num colchão, a lastro, no sotão improvisado no tecto da cozinha. De resto, havia um pequeno quintal que, para além das hortaliças, tinha uma retrete entre o curralinho do porco e a rua das galinhas.(...)"

In Já Não Gosto de Chocolates de Álamo Oliveira, Edições Salamandra, 1999, p.131

Arquitecturas | analepse

Remexendo na minha caixinha de recortes de jornais e revistas encontrei uma notável entrevista publicada no Diário Insular de 23 de Março de 2003, da jornalista Andreia Fernandes ao Arqt. Souto Moura, aquando da sua visita a Angra do Heroísmo.
Da entrevista destaco a seguinte questão e resposta, já com menção à gasta palavra "crise" que anda de boca em boca volvidos mais de cinco anos:

"DI: O que é que diria da arquitectura em Portugal?
SM: Eu acho que num país que está com uma crise de identidade própria, porque o buraco não é só na economia, é um buraco mental, afectivo e cultural, há uma crise em que as pessoas não acreditam, uma crise de projecto, a arquitectura não é dos campos piores. Acredito que há um grupo de jovens arquitectos que vai ser muito talentoso, tenho visto obras de pessoas que noutros campos se calhar não existem."

Abaixo segue a entrevista integral:

Capa do jornal
artigo integral

Siza distinguido com a Royal Gold Medal

"Álvaro Siza é um arquitecto profundamente completo que desafia categorizações(...). O forjar de uma arquitectura magistral e aparentemente inevitável a partir das possibilidades de uma envolvente é uma das supremas características da sua arquitectura(...). Nos edifícios de Siza, talvez como em nenhuns outros, é à relação entre os elementos da arquitectura que é dada primazia, mais do que à forma ou textura dos próprios elementos. Esta é uma arquitectura na qual uma economia de meios expressivos é combinada com uma abundância de revelação espacial". Estes são excertos da acta do júri que atribui ao Arqt. Álvaro Siza Vieira o mais prestigiado prémio de arquitectura britânico, a Royal Gold Medal, prémio já atribuído a Corbusier (1953), a Frank Gery (2000) e Herzog e de Meuron (2007).
Siza fez uma única intervenção em território inglês em parceria com o Arqt. Souto Moura, o famoso pavilhão de Verão da conhecida Serpentine Gallery, no Hyde Park, de Londres, mas não é esta obra que o leva ao prémio, pois esta é uma distinção de carreira.
Mais um prémio a juntar-se aos muitos que já recebeu merecidamente.
A cerimónia de entrega da Royal Gold Medal está agendada para Fevereiro, em data a marcar. O Arquitecto dará uma conferência sobre a sua obra.
Serpentine Gallery Pavilion 2005, Hyde Park, Londres
Alvaro Siza e Eduardo Souto de Moura

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Inauguração Segurança Social das Flores Açores

No passado dia 1 de Outubro, foram inauguradas as novas instalações da Segurança Social das Flores, um projecto do Atelier José Castro Parreira arquitectos. O Secretário Regional dos Assuntos Sociais Domingos Cunha esteve presente e considera necessário dotar os serviços públicos do sector “de espaços modernos devidamente equipados de modo a garantir um atendimento personalizado e de qualidade”.
O projecto parte de um edifício existente e consiste na sua remodelação e ampliação. Respeitando as características e linguagem da pré-existência o edifício extendeu-se com uma volumetria e linguagem assumidamente contemporânea.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Dia Mundial da Arquitectura na Rádio

Ontem foi assinalado mais um Dia Mundial da Arquitectura, facto que não passou despercebido à RDP Açores, mais concretamente a Sidónio Bettencourt que lidera a equipa do Interilhas, programa semanal/matinal que ouço quase diariamente.
Participei nesse dia no seu programa.
Sidónio Bettencourt, jornalista, apresentador e poeta, autor da impressionante reportagem de rádio Baleeiros em Terra editada pelo IAC em cd, do livro de poesia Deserto de Todas as Chuvas, pela editora Salamandra e co-autor de Balada das Baleias, pela editora Veraçor, colocou pertinentes questões para o dia assinalado.
Quero aqui agradecer o tempo de antena que me permitiu, deixando-me falar acerca de arquitectura e da classe de arquitectos açorianos que optaram fazer carreira na sua terra. Falei um pouco das dificuldades que enfrentamos, dos desafios que a arquitectura contemporânea encara ao querer afirmar-se no nosso território e da sua intervenção em centros históricos.
Deixei como principal mensagem a necessidade de nos unirmos para combatermos problemas, reinvindicarmos o melhor para a nossa actividade e podermos ser ouvidos.
Nesta perspectiva, mais uma vez agradeço esta oportunidade por poder dar a minha opinião sobre um tema que no fundo interessa a Todos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

"A falência da Delegação dos Açores da Ordem dos Arquitectos"

"Há pouco mais de 10 anos, por iniciativa de um grupo restrito de arquitectos de São Miguel, avançou-se com a ideia de criar no arquipélago, à semelhança de outras partes do país, o Núcleo dos Açores da Ordem dos Arquitectos Portugueses.
Fomos contactados aqui na Terceira por esses colegas, que entretanto haviam já constituído uma lista e se propunham assegurar os órgãos sociais necessários, para validarmos as suas pretensões.(...)"

Ler integralmente em:
http://josecastroparreira.blogspot.com/

domingo, 5 de outubro de 2008

Edifício giratório | Arqt. David Fisher

Esta reportagem da RTP de Junho deste ano informa sobre o projecto para os primeiros prédios giratórios (que serão construídos um no Dubai e um outro em Moscovo), tendo sido apresentado em Nova Iorque pelo arquitecto italiano David Fisher. A Rotating Tower Technology Company, liderada pelo grupo Dynamic Architecture, revelou elementos do projecto, que terá 80 andares e 420 metros de altura. Ecológico e independente em termos energéticos, conseguindo auto-abastecer-se através de turbinas eólicas ajustadas entre cada andar, o futuro edifício do Dubai será o primeiro arranha-céus a ser totalmente construído a partir de peças pré-fabricadas, das quais resultará uma economia calculada em cerca de 20 por cento. "A nossa intenção é construir a terceira torre giratória em Nova Iorque ", confessou o arquitecto David Fisher.