quinta-feira, 11 de setembro de 2008

10 casos notáveis | arquitectura Açores e Madeira

No passado fim de semana o Expresso publicou na revista Actual um artigo de José Manuel Fernandes em que este arquitecto refere dez bons exemplos de arquitectura nos Açores e Madeira.
No que diz respeito à ilha Terceira, o autor indica também, para além do Complexo Pedagógico da Universidade dos Açores que está no Top10, a recuperação do Forte de São Sebastião de Angra, como pousada (por Isabel Santos e Gabinete 118 Gatens, de 2006), a moradia na Canada do Pombal, em São Mateus (por Isabel Santos, de 2003-2005) e a moradia Susana Cunha no litoral da Praia (por José Parreira, de 1998).
Abaixo segue o Top10:
1 - RESIDÊNCIA UNIVERSITÁRIA DA UA NAS LARANJEIRAS, EM PONTA DELGADA, SÃO MIGUEL
PEDRO COSTA E CÉLIA GOMES, 2002-06
À saída nascente de Ponta Delgada, subindo a antiga estrada para a Ribeira Grande, junto aos silos de cereais, ergue-se a residência de estudantes, constituída por uma série de volumes de proporção horizontal, em corpos sucessivos, socalcados, apresentando o da frente, que abre sobre a estrada, uma série de pilares de apoio (os chamados pilotis) cilíndricos, aparentemente demasiado espessos para as necessidades estruturais - mas que, na linha expressionista e formal dos seus autores, acrescentam uma original força plástica ao conjunto.
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2 - ESCOLA ROBERTO IVENS, AMPLIAÇÃO E RECUPERAÇÃO, PONTA DELGADA, SÃO MIGUEL
JOÃO GOES FERREIRA E TIAGO CORREIA, 2003-06
Partindo de um edifício solarengo do século XIX, que foi recuperado, a obra estende-se pelos amplos espaços livres do antigo jardim, com uma série de pavilhões habilmente interligados, em corpos prismáticos de geometrias simples, com cores claras e luminosas, que atenuam sensivelmente a densa ocupação que serve o programa. Os espaços internos e semi-exteriores, como escadas, galerias, átrios e pátios, servem para criar um ambiente convidativo e acolhedor para os estudantes. Muito interessante a visão do pavilhão desportivo, de um dos corredores - ou a movimentação dos alunos, quando passam frente às aberturas nas paredes dos pavilhões.

3 - CASAS DA VIGIA, SÃO VICENTE FERREIRA, SÃO MIGUEL
JOÃO MAIA MACEDO, 2007
O projecto aproveita uma antiga torre de vigia, erigida em pedra vulcânica, e aberta sobre o mar, na costa norte de São Miguel. Desenvolve-se em vários edifícios residenciais, volumes de forma simples, quase puristas, separados uns dos outros - e cujo cromatismo intenso das fachadas ajuda a destacar da paisagem, verdejante e negra. Trata-se de um original exemplo de como ocupar, de um modo fragmentário, com dimensão poética, o antigo território rural ilhéu, acrescentando- -lhe funções novas (a habitação do «urbanita»), sem, porém, o reduzir à figura convencional da urbanização.

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4 - FURNAS LAKE VILLAS NA LAGOA DAS FURNAS (COM LUÍS ALMEIDA E SOUSA) DA PRAIA DE SANTA BÁRBARA, RIBEIRA GRANDE, SÃO MIGUEL
FERNANDO MONTEIRO, 2003-04 E 2006-08
Trata-se, afinal, de um pequeno aldeamento turístico nas proximidades da famosa e romântica lagoa micaelense, que aproveita algumas edificações tradicionais existentes, mas que assenta sobretudo numa série de «habitações mínimas», cubos em aço e vidro, de desenho abstracto e moderno, mas completamente revestidos a madeira de criptoméria, na sua cor natural, que lhes dá uma expressão orgânica, agradável e muito bem inserida na paisagem de «água, humidade e verde» que define a larga encosta vulcânica envolvente. A série de equipamentos balneares, na praia de Santa Bárbara, na costa norte da ilha, também utiliza o eficaz dispositivo do revestimento em madeira aparente.

5 - COMPLEXO PEDAGÓGICO DA UA EM ANGRA, TERCEIRA
JORGE FIGUEIRA, 2005-06
Numa área suburbana, verdejante, da envolvente da cidade de Angra, o projecto do novo pólo universitário terceirense investe na criação de uma cidadela moderna, com volumes geométricos, separados entre si, articulados por percursos pedonais e galerias, e envolvidos pelo profuso verde da vegetação local.
O edifício do Complexo Pedagógico, o primeiro a erguer-se, optou por um cromatismo vibrante nas fachadas, em vermelho, que o destaca claramente da envolvente. Internamente, um espaço aberto e amplo, em vários níveis de acesso e serviços, dispõe as sucessivas salas e auditório.
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6 - GRUTA DAS TORRES, NA MADALENA DO PICO
INÊS VIEIRA DA SILVA E MIGUEL VIEIRA, 2003-05
Na subida para a montanha, uma longa e subterrânea gruta lávica, de dimensão excepcional, motivou a edificação de um espaço de acolhimento e de entrada. Trata-se de uma pequena construção, de paredes curvilíneas, erigida com delicadeza e claro sentido dos materiais: nomeadamente, exibindo a fachada principal constituída por rochas de pedra vulcânica, irregulares, colocadas deixando espaços entre elas, como uma «filigrana pétrea», o que, a certas horas do dia, mediante a inclinação do Sol, provoca uma iluminação do espaço interior de notável efeito plástico.
7 - BIBLIOTECA E ARQUIVO DA HORTA, FAIAL
ATELIER PORTO PIM COM ANA VELOSO, 2001-08
O conjunto aproveita um portentoso edifício oitocentista, de alta fachada em pedra negra e cal branca, alinhado com a rua direita da Horta, junto ao gaveto com a alongada praça da Matriz e da Câmara. Exactamente neste gaveto, criou-se um corpo novo, de expressão contemporânea, cilíndrico, o qual, tornejando para a íngreme via em rampa que sobe a encosta na perpendicular, permite visualizar as instalações sequenciais deste equipamento. Nos espaços mais internos do conjunto, deitando para o interior do logradouro, o edifício cita algumas das formas construtivas mais tradicionais da cidade, como os revestimentos externos em madeira «escamada», pintada a cores vivas.
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8 - POSTO DE TURISMO E ÁREA DE LAZER NO FORTE DE SANTA CATARINA E CAPELA RAINHA SANTA ISABEL NA ALMAGREIRA
(COM TERESA ROBALO),
LAJES DO PICO
RUI JORGE PINTO, 2003-05 E 2006
O pequeno forte costeiro de Santa Catarina, à saída da vila para poente, foi entendido como uma esplanada de utilização pública, para o visitante aceder ao núcleo de informação turística, (com uma pequena mas bem apetrechada livraria), e para, se se quiser, descansar, espairecer, olhar o mar. Para isso o terreiro central da construção teve o pavimento revestido com grandes vigas de madeira (recuperadas das ferrovias), que lhe dão um sentido orgânico, acolhedor, embora singelo. A capela, alcandorada sobre a encosta rural, a olhar a ilha e o mar, é uma simples «caixa» de betão e vidro, cuja eficácia, como espaço simbólico e sagrado, lhe advém exactamente da pureza da solução espacial.

9 - CASA DAS MUDAS, CALHETA, ILHA DA MADEIRA
PAULO DAVID, 2003-2004
Verdadeiro «achado» como espaço arquitectónico e paisagístico, a já famosa Casa das Mudas, onde funciona o Centro de Artes da Calheta, foi escavado na falésia, a pique sobre o oceano, para baixo da cota da antiga e modesta construção solarenga que lhe dá o nome. O visitante acede ao espaço pelo lado de cima, descendo uma escadaria que o leva ao uma espécie de pequeno «labirinto» de ruas e becos, em pedra negra vulcânica - donde se desce para as sucessivas «salas brancas» de exposição, galerias, auditório.
A toda a volta temos, pontualmente, vislumbres, por janelas e vãos rasgados nas fachadas, das serranias e encostas «a cair sobre o mar», com as casinhas rurais encavalitadas na montanha.

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10 - CENTRO CÍVICO DO ESTREITO DE CÂMARA DE LOBOS, NA MADEIRA
ATELIER RISCO A4 (COM FREDDY FERREIRA CÉSAR E CARLA BAPTISTA), DE 2002-03
Construir nas encostas íngremes da ilha da Madeira é um desafio para os arquitectos - nomeadamente se se trata da edificação de equipamentos culturais, cuja centralidade, facilidade de acesso e atractibilidade são factores prementes, a ter em linha de conta.
O Centro Cívico e de Exposições do Estreito de Câmara de Lobos constitui um dos casos mais evidentes desta situação: alcandorado em encosta abrupta, olhando logo acima a igrejinha do povoado, o edifício teve de criar um espaço próprio, uma patamar horizontal, uma pequena acrópole, serena e plana, interrupção na sequência de subidas. Um corpo simples, prismático, revestido a madeira, define o essencial do edifício.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Biblioteca de Santa Cruz das Flores | Açores

Foi inaugurada a 2 de Setembro a Biblioteca de Sta. Cruz das Flores um projecto da Direcção Regional da Cultura, elaborado pela Arqt.ª Magda Gonçalves.
O projecto consistiu na remodelação e ampliação da Casa Pimentel de Mesquita, que nas palavras de Carlos César "constitui um exemplo de como é possível, recuperando e preservando o património construído, conceber novos e modernos espaços com novas e importantes finalidades".





terça-feira, 2 de setembro de 2008

Angra a lápis de cor


Desenhos dos alunos da Escola Básica de São Bento, Angra do Heroísmo

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Blog de Arquitectura | Arqt.José Parreira

Existe um novo espaço na blogosfera dedicado à arquitectura de José Castro Parreira, onde se podem observar algumas das suas obras e projectos mais recentes. Esperamos poder ver mais em breve...
http://josecastroparreira.blogspot.com/


Habitação Unifamiliar, Ladeira Branca, José Castro Parreira Arquitectos

domingo, 24 de agosto de 2008

Pensar Angra do Heroísmo

Ultimamente tenho reflectido sobre a temática do desenvolvimento da ilha e do centro urbano de Angra, pensando sobre as estratégias que poderiam ser adoptadas, penso que por influência de acontecimentos que se tem por cá promovido. Desde a conferência de Maduro Dias intitulada “Angra do Heroísmo como produto turístico”, no âmbito dos 25 anos de Angra do Heroísmo - cidade Património, passando pela discussão pública do plano para o Parque Natural da ilha Terceira e pela discussão pública do PROTA- Plano Regional de Ordenamento do Território dos Açores.
Durante a participação na acção de formação “Reabilitação Urbana” organizada pela Ordem dos Arquitectos na nossa cidade questionei-me porque não poderíamos ter implementado no concelho um programa semelhante ao REVIVA-Programa de Revitalização Económica e Social do Centro Histórico de Ponta Delgada. Até teria mais sentido existir cá um programa deste género pois Angra será quiçá a cidade açoriana com mais necessidade de reabilitar os seus edifícios e de manter o seu valor, pois este é um dos fundamentais produtos turísticos que se quer divulgar e que é inigualável no panorama açoriano.
O programa, que se poderia denominar PATRIMÓNIO VIVO, seria um sistema de apoio a privados para reabilitação de edifícios na Zona Classificada de Angra do Heroísmo e talvez da sua zona de protecção também. O programa poderia oferecer apoio jurídico, logístico, arquitectónico e económico, tanto a nível financeiro como a nível de aconselhamento. Neste último ponto poderia estar aliado à proposta da Dr.ª Andreia Cardoso de promover um estudo económico do concelho, em parceria com a Câmara de Comércio, de modo a informar quais os potenciais nichos de mercado a desenvolver em determinado local.
A existência de benefícios fiscais e isenção de taxas camarárias presentes no REVIVA também poderiam ser adoptadas neste programa.
Mas a reabilitação que se deveria pretender neste programa, seria a reconstrução genuína e com qualidade dos imóveis. Evitando o que se tem praticado desde há muito no nosso centro histórico, a demolição total dos edifícios (pois muitas vezes a fachada original cai em obra!), seguindo-se a elaboração de uma cópia fiel da fachada anterior mas em blocos de betão. Quanto à tipologia original dos imóveis também não existe o cuidado de readaptá-la com cuidado, restando assim quase nada de original dos edifícios centenários. E temos perdido assim o nosso Património, pois com este tipo de reconstrução os imóveis perdem aproximadamente 80% do seu valor arquitectónico. O nosso legado não se resume a fachadas com alçados harmoniosos e ritmados, é um todo em que se deve ter em atenção aspectos construtivos, os materiais utilizados, sistemas infra-estruturais utilizados na altura dos quais devem existir vestígios… assim caímos no risco de nos transformarmos no Portugal dos Pequeninos com estes maus exemplos de reabilitação, pois apenas restarão as fachadas copiadas.
Dou alguma relevância a este ponto, claro está devido à minha formação profissional, mas também porque penso que deveria neste programa existir um grande apoio na área de arquitectura, desde a fase de projecto, ao seu desenvolvimento, até ao culminar da obra. Esta “equipa” de técnicos por assim dizer, deveria ter grandes conhecimentos sobre a construção praticada em Angra desde o seu início, adquirido através da experiência profissional ou através de algumas acções de formação que poderiam basear-se na apresentação de projectos considerados como bons exemplos de reconstrução em Angra ou noutros centros históricos portugueses, explicação e análise de técnicas construtivas e sistemas estruturais anteriormente adoptados, sugestões de algumas formas de reabilitar, promover visitas a edifícios por reabilitar e já reabilitados, etc. Esta equipa técnica que acima referi também poderia não existir e basear-se num sistema de parcerias com projectistas da região açoriana.
Para este programa resultar, teria de estar associada à DRC- Direcção Regional da Cultura no processo ou na tal suposta “equipa técnica”, de forma a evitar-se atrasos no processo através de reuniões mensais para análise dos projectos.
Criar parcerias com outras instituições e empresas, seria ponderável no sentido de aliviar o encargo financeiro do Governo Regional, mas teria de ser vista sua viabilidade a nível jurídico.
A selecção de propostas poderia ser através de uma candidatura simples, e o número de propostas a aprovar dependendo das verbas disponíveis. A atribuição de um prémio à melhor reabilitação ao fim do programa ou ao fim de x em x anos seria um aspecto interessante a ponderar, promovendo uma saudável competição.
A meu ver os objectivos chave deste programa passariam por reabilitar com qualidade o centro histórico (combatendo também o problema das térmitas), trazer as pessoas para a cidade, rejuvenescer a cidade e a sua população, promover a coesão social e a cidadania e estimular o empreendorismo (em época de crise) transmitindo segurança no investimento através de apoio a vários níveis.
Não bastará falar do passado e do presente e dizer que se tem de fazer alguma coisa como tenho escutado nas diversas conferências. É necessário discutir e traçar um futuro para a cidade e também definir uma estratégia turística objectiva tirando partido do seu Património construído, reabilitando-o obrigatoriamente. Se noutras cidades o futuro é expandir, talvez o de Angra, para além do seu normal crescimento, é cuidar do que tem, do seu legado de que todos nos orgulhamos e que é necessário reabilitar, dinamizar e repensar.
Alguns exemplos de imóveis em mau estado em Angra do Heroísmo:

Rua Frei Diogo de Chagas, Zona Classificada de A.H.

Rua do Pisão, Zona Classificada de A.H.

Rua Diogo de Teive, Zona de Protecção de A.H.

Gaveto da Rua dos Canos Verdes com a Rua de Barcelos , Zona Classificada de A.H.

Gaveto da Rua da Oliveira com a Rua de Jesus, Zona Classificada de A.H.
Rua de São Pedro, Zona Classificada de A.H.
Rua da Sé, Zona Classificada de A.H.
Rua da Sé, Zona Classificada de A.H.
Rua do Rego, Zona Classificada de A.H.
Rua da Oliveira, Zona Classificada de A.H

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Baía de Angra...

Ao folhear o Triste vida leva a garça de Álamo de Oliveira, editado em 1984, adquirido ontem em segunda mão e já em mau estado deparei-me com este poema intitulado "Baía"... fez-me recordar precisamente esta baía, que será sem dúvida a de Angra do Heroísmo. A angra (pequena baía, enseada) que antes de ser marina se abria ao mar sem molhes nem amarras.
Tenho saudades do que era... mesmo não tendo barcos... e que foi de facto oferecida "ao primeiro bando de gaivotas"...

Baía

"não temos barcos na baía:
o cais come a sua inveja no cimento
e povoa o seu deserto
com o silêncio dos peixes.
os guindastes lembram dedos sem mãos
que apontam ferreamente a cidade
pela ausência de movimento.

todos sabemos que é verdade:
- não temos barcos na baía.
vamos oferecer o cais
ao primeiro bando de gaivotas."

In Triste vida leva a garça de Álamo Oliveira, p.42


Imagem fornecida pelo extinto Gabinete da Zona Classificada de Angra do Heroísmo

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Inauguração Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos | Faial

Foi inaugurado no passado fim-de-semana o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, obra do Arqt. Nuno Lopes e já alvo de um post neste blog: http://jcarquitectura.blogspot.com/2008/04/centro-de-interpretao-do-vulco-dos.html


A cerimónia foi animada pela presença das companhias francesas Retouramont e Des Quidams que proporcionaram um bonito e original espectáculo.

Imagem retirada da internet.